O terremoto de Lisboa

…Mas o terremoto de Lisboa também começou assim. Era uma manhã linda de sábado, de céu azul e ensolarado, 18º C.
Primeiro de novembro de 1755, Dia de Todos os Santos. A cidade acordava aos poucos, lenta e preguiçosa. Os sinos repicavam, anunciando as missas das nove, prestes a começar. Os devotos, em seus melhores trajes, deslocavam-se pelas vielas. Suntuosas carruagens abriam caminho, na massa popular, com a elite da corte, ministros, embaixadores e autoridades eclesiásticas. Nos altares, ardiam velas e pavios de azeite. Nas igrejas lotadas, a cidade beata, em veneração, elevava preces fervorosas a todos os santos. Às nove e quarenta, um rugido irrompeu das entranhas da terra, dando o alerta. O primeiro e violento abalo não durou mais que um minuto e meio. Depois, o chão foi sacudido novamente, por dois minutos e meio. A seguir, após um breve intervalo, um novo abalo durou eternos três minutos. No total, foram oito minutos e meio. Oito minutos e meio que destruíram uma cidade inteira, sem misericórdia. Fendas e buracos enormes abriram-se nas ruas. Círios, velas, chaminés e tochas foram ao chão, iniciando um grande incêndio, que lambeu a cidade. As águas do Tejo recuaram uma centena de metros e em poucos minutos voltaram numa onda colossal, arrasando definitivamente a zona baixa. As embarcações foram projetadas a centenas de metros, esmagadas. Foi o último dia do mundo. Durante 24 horas, a terra não parou de tremer. Depois, vieram as réplicas, cada vez mais espaçadas, mas suficientemente fortes para destruir o que restava de pé. Por seis dias, Lisboa ardeu como um imenso braseiro…

Trecho de O Ser-se com o vídeo do Smithsonian Channel, da CBS.

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